O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) caiu 1,8 ponto em outubro, para 109,0 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira, 30. Na média móvel trimestral, a redução foi menor: 0,1 ponto, para 110,5.

A queda mensal não significa que os agentes estejam de acordo sobre os rumos da economia.

A FGV apontou movimentos opostos nos componentes do índice: diminuiu a incidência de termos associados à incerteza na imprensa, enquanto aumentou a dispersão das projeções de mercado para juros e câmbio.

Por que os componentes contam histórias diferentes

O componente de mídia acompanha a frequência de palavras relacionadas à incerteza em veículos de informação. Já o componente de expectativas observa o quanto as projeções de mercado se afastam umas das outras. Em outubro, a primeira medida recuou e a segunda subiu.

Isso ajuda a explicar por que o índice agregado caiu, embora os analistas tenham ficado menos alinhados nas estimativas para variáveis importantes. A FGV descreve o resultado como relativa estabilidade: o número cheio recuou, mas a média móvel trimestral quase não mudou.

O indicador não é previsão de crescimento ou inflação

O IIE-Br é expresso em pontos e não em porcentagem. Ele procura captar o grau de incerteza econômica a partir de seus componentes; não informa diretamente se o PIB vai crescer, se a inflação vai acelerar ou se o Banco Central mudará a Selic.

Para empresas, investidores e famílias, a divergência nas projeções indica que as estimativas de juros e câmbio carregam margens de dúvida maiores.

Isso pode dificultar decisões que dependem de financiamento, importação, exportação ou planejamento de custos, mas o índice por si só não determina qual cenário irá prevalecer.

A FGV ressalta que a trajetória do indicador nos próximos meses dependerá de novas informações e das sinalizações econômicas. O dado de outubro oferece uma fotografia da incerteza naquele mês, não uma garantia de que ela continuará caindo.