A ISA Energia Brasil registrou lucro líquido regulatório de R$ 1,905 bilhão no terceiro trimestre de 2026, ante R$ 550 milhões um ano antes. O salto, porém, não representa apenas melhora operacional: o resultado inclui um efeito contábil não recorrente de R$ 1,938 bilhão.
O ganho veio da reorganização das participações nas transmissoras IE Madeira e IE Garanhuns. Segundo o release de resultados da companhia, o efeito não teve impacto de caixa e reuniu compra vantajosa de participação, remensuração de participação já detida e resultado da venda de um ativo.
Ganho contábil explica a maior parte do avanço
Do efeito de R$ 1,938 bilhão, R$ 655,2 milhões vieram da compra vantajosa de uma participação adicional na IE Madeira; R$ 1,211 bilhão, da remensuração a valor justo da parcela que a ISA já possuía; e R$ 72,1 milhões, da alienação de sua participação na IE Garanhuns.
Por isso, o EBITDA regulatório de R$ 3,190 bilhões, alta anual de 259%, e a margem regulatória de 211,2% também carregam o efeito extraordinário. Comparar esses percentuais diretamente com a operação recorrente pode dar uma leitura distorcida do trimestre.
Receita líquida sobe com projetos e consolidação da IE Madeira
A receita líquida regulatória chegou a R$ 1,511 bilhão, aumento de 40,9% na comparação anual. A receita líquida excluindo a parcela relacionada à RBSE avançou 70,9%, para R$ 1,039 bilhão, refletindo novos projetos energizados e a consolidação integral da IE Madeira a partir de agosto.
Entre os fatores listados pela empresa estão o início da receita anual permitida de R$ 478,9 milhões de três projetos — Riacho Grande, Jacarandá e Piraquê — e o reconhecimento de 100% dos resultados da IE Madeira, antes contabilizados parcialmente por equivalência patrimonial.
Endividamento e investimento também cresceram
A dívida líquida fechou setembro em R$ 17,018 bilhões, alta de 32,1% em doze meses. O investimento (CapEx, excluindo fusões e aquisições) foi de R$ 1,103 bilhão no trimestre, queda de 8,5% ante o 3T25.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita líquida subiu 23,1%, para R$ 3,980 bilhões, e o lucro regulatório avançou 113,2%, a R$ 2,436 bilhões. A leitura do balanço exige separar o desempenho recorrente do evento societário; o documento da ISA Energia apresenta também os dados em IFRS e as conciliações contábeis.





