O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou prejuízo líquido de R$ 220 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre, revertendo o lucro de R$ 142 milhões informado um ano antes. A receita líquida caiu 9,6%, para R$ 4,1 bilhões.
Quando incluídas as operações descontinuadas, o prejuízo consolidado foi de R$ 731 milhões. A diferença decorre, principalmente, de uma provisão de R$ 467 milhões relacionada a uma arbitragem com a Casas Bahia, além de outros efeitos das atividades encerradas.
Margens melhoram apesar da queda nas vendas
O Ebitda ajustado cresceu 16,9%, para R$ 482 milhões, e a margem avançou 2,7 pontos percentuais, a 11,7%. A margem bruta subiu de 27,6% para 30,7%, favorecida pela saída de negócios menos rentáveis e por mudanças na sistemática de ICMS.
O desempenho operacional mais forte não foi suficiente para compensar a retração da receita e os efeitos abaixo do Ebitda. As vendas mesmas lojas caíram 1,4%, sinal de que a melhora de margem ainda não se traduziu em retomada do faturamento.
Cortes de despesas e recuperação financeira
O GPA informou ter acumulado R$ 365 milhões em redução de despesas em 2026, equivalente a 88% da meta anual. As economias vieram de cortes de pessoal, renegociação de contratos e ganhos em tecnologia e logística, conforme a companhia.
A homologação do plano de recuperação extrajudicial em outubro abriu caminho para renegociação e alongamento de dívidas. Os efeitos pro forma, que ainda não estavam refletidos no balanço de setembro, poderiam reduzir o endividamento líquido de R$ 3,755 bilhões para R$ 1,246 bilhão após destinação de recursos da venda da participação na financeira FIC.
O que o plano de dívida muda
Na projeção pro forma divulgada, a alavancagem cairia de 3,7 para 1,2 vez, e o prazo médio da dívida aumentaria de 2,1 para 6,4 anos. Esses números dependem da execução das etapas do plano e não representam o saldo contábil registrado em setembro.
O cronograma de pagamentos até 2028 também poderia cair de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões. A empresa espera refletir parte desses efeitos no quarto trimestre; até lá, a comparação correta separa os dados publicados das estimativas pós-reestruturação.
Retomada de receita segue como desafio
A gestão apontou o retorno ao crescimento da receita como um dos principais desafios. Para os próximos balanços, o mercado deve observar vendas mesmas lojas, disponibilidade de produtos, margem, fluxo de caixa e cumprimento das metas de redução de dívida.
Fontes: Estadão Conteúdo/InfoMoney — resultado e plano financeiro; GPA Relações com Investidores.





