O Brasil criou 121.305 vagas formais em setembro, segundo o Novo Caged divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (4). O saldo resulta de 2,21 milhões de admissões e 2,09 milhões de desligamentos e é o menor para setembro desde 2020.
O número ficou 43,5% abaixo do resultado de setembro de 2025, quando foram criados 214,6 mil postos, de acordo com a série ajustada. O dado mensal ainda foi positivo, mas aponta desaceleração na comparação anual.
Serviços concentram a maior parte das vagas
Quatro dos cinco grandes grupos econômicos tiveram saldo positivo. Serviços abriram 81.241 postos, com contribuição de atividades administrativas, saúde e transporte, armazenagem e correio. A indústria criou 19.285 vagas; comércio, 15.697; e construção, 9.468.
A agropecuária foi a exceção, com saldo negativo de 4.381 empregos. Essa diferença setorial mostra que o resultado agregado não representa igualmente a atividade em todo o país: serviços responderam pela maior parte das novas contratações formais no mês.
Nordeste lidera entre as regiões
As cinco regiões registraram saldo positivo. O Nordeste liderou com 49.142 postos, seguido pelo Sudeste, com 39.404; Norte, 14.748; Sul, 9.949; e Centro-Oeste, 7.894. Vinte e seis das 27 unidades da Federação contrataram mais do que demitiram.
São Paulo teve o maior saldo absoluto, com 19.391 vagas. Pernambuco abriu 13.371 e Alagoas, 11.110. Em proporção ao estoque local, Alagoas liderou com expansão de 2,47%, mostrando por que a comparação absoluta e a relativa contam histórias diferentes.
Jovens e mulheres tiveram saldo maior
O saldo foi de 62.989 vagas para mulheres e 59.129 para homens. Trabalhadores de até 24 anos concentraram 106.293 postos líquidos, enquanto pessoas com ensino médio completo responderam por 82.818 vagas.
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.429,41, alta de R$ 44,90, ou 1,88%, em relação a setembro de 2025. O Novo Caged mede vínculos formais; não inclui todo o trabalho informal e não deve ser confundido com a taxa de desemprego da PNAD Contínua.
O que o dado permite concluir
O saldo acumulado de janeiro a setembro chegou a 1,24 milhão de postos. Ainda assim, a criação no ano ficou abaixo do mesmo intervalo de 2025, reforçando a importância de acompanhar os próximos meses, a distribuição setorial e as revisões da série.
O indicador é um retrato administrativo das admissões e desligamentos reportados pelas empresas. Ele ajuda a monitorar a formalização, mas não explica sozinho as causas da desaceleração nem substitui indicadores de renda, jornada e informalidade.
Os dados também entraram no radar do pregão desta quarta-feira, antes da decisão do Copom. Veja como o Ibovespa, o dólar e as bolsas americanas fecharam no fechamento do mercado de 4 de novembro.
Fontes: Agência Gov/MTE — dados detalhados do Novo Caged; B3 — comparação anual e recortes setoriais.





