No fechamento do mercado nesta segunda-feira (26), o Ibovespa terminou em 176.608,23 pontos, queda de 13,88%, no pior recuo diário desde março de 2020. O dólar à vista encerrou a sessão a R$ 5,4027, em alta de 8,21%, depois de superar R$ 5,60 durante o pregão.
O encerramento consolida a reação que começou na abertura, quando a B3 acionou o circuit breaker. A pausa de 30 minutos e os primeiros movimentos do dia estão detalhados na matéria sobre a abertura do mercado; aqui, o foco está no resultado final e na diferença entre os papéis.
Ibovespa oscilou mais de 35 mil pontos
O índice chegou à máxima intradiária de 205.088,74 pontos e recuou até 169.516,43 pontos. No pior momento, a queda alcançou 17,34%. Depois da retomada das negociações, não houve uma segunda interrupção; ainda assim, 68 dos 76 papéis do Ibovespa terminaram no negativo.
A sessão ocorreu após o resultado eleitoral e foi marcada por forte reavaliação de risco nos ativos brasileiros. Essa leitura aparece na cobertura da B3 e de veículos de mercado; a queda, porém, não deve ser atribuída a um único fator sem considerar as condições de cada empresa e as expectativas para a política econômica.
Varejo e empresas endividadas lideraram as perdas
A pressão atingiu com força ações de varejo, saúde e logística. A tabela reúne as cinco maiores baixas do Ibovespa e seus preços de fechamento, conforme o levantamento da B3.
| Empresa | Ticker | Variação | Fechamento |
|---|---|---|---|
| Magazine Luiza | MGLU3 | -58,23% | R$ 5,30 |
| Vamos | VAMO3 | -56,79% | R$ 2,77 |
| Hapvida | HAPV3 | -54,93% | R$ 3,98 |
| C&A | CEAB3 | -47,47% | R$ 7,27 |
| Cosan | CSAN3 | -46,73% | R$ 2,77 |
Os bancos também tiveram perdas acentuadas. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33%; BTG Pactual (BPAC11), 24,83%; Bradesco (BBDC4), 21,70%; Itaú (ITUB4), 13,66%; e Santander Brasil (SANB11), 4,47%, conforme os dados reunidos pela BPMoney.
Fora dessa lista de maiores baixas do índice, as ações da Allos (ALOS3) terminaram a R$ 26,49, com perda de 24,62%. O BDR do Nubank (ROXO34) fechou a R$ 10,85, recuo de 14,77%, de acordo com os históricos de negociação do ALOS3 e do ROXO34.
Exportadoras ficaram entre as poucas altas
Mesmo em uma sessão amplamente negativa, companhias exportadoras e industriais apareceram entre os avanços. Veja os cinco maiores ganhos do Ibovespa, com preços informados pela B3.
| Empresa | Ticker | Variação | Fechamento |
|---|---|---|---|
| Suzano | SUZB3 | +10,08% | R$ 47,40 |
| Embraer | EMBJ3 | +8,89% | R$ 96,20 |
| WEG | WEGE3 | +4,21% | R$ 44,53 |
| Vale | VALE3 | +4,01% | R$ 64,38 |
| Klabin | KLBN11 | +3,24% | R$ 18,81 |
A alta do dólar foi apontada na cobertura da Exame como um fator favorável a empresas com receitas externas, mas não explica sozinha o desempenho de cada ação. A diferença entre exportadoras no positivo e companhias ligadas ao consumo e ao crédito entre as maiores quedas mostra que o pregão foi bastante desigual.
Dólar recuou da máxima, mas teve maior alta diária desde 1999
A moeda americana oscilou entre R$ 5,3917 e R$ 5,6048 e fechou em R$ 5,4027. A valorização de 8,21% foi a maior alta diária desde janeiro de 1999, segundo a Exame. Trata-se do dólar à vista, não da cotação PTAX.
Os juros futuros também subiram. Às 16h45, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2033 indicava taxa de 15,240% ao ano, ante 12,650% no fechamento anterior. É uma cotação de mercado futuro naquele horário, não a taxa Selic; a diferença equivale a 2,59 pontos percentuais, conforme a UOL Economia.
Wall Street fechou em alta
As bolsas dos Estados Unidos avançaram na contramão dos ativos brasileiros. O Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 ganhou 0,70% e o Nasdaq avançou 0,83%, segundo o balanço da B3. A alta dos índices americanos ajuda a separar o movimento local do desempenho externo nesta sessão, embora não elimine a influência de fatores globais sobre os preços.
Para o investidor, o dado central do fechamento é a amplitude do ajuste: a Bolsa terminou bem abaixo da máxima do dia, o câmbio encerrou abaixo de sua máxima intradiária e houve diferenças expressivas entre setores e empresas. Novas sessões e sinais sobre a condução econômica serão necessários para avaliar se essa reprecificação se mantém.
Fontes: B3 / Bora Investir; Exame; BPMoney; UOL Economia; Investing.com — ALOS3; Investing.com — ROXO34.






