O Ibovespa subiu 1,23% nesta quarta-feira (4), aos 167.563,47 pontos, interrompendo uma sequência de seis pregões de queda. O dólar comercial recuou 0,64%, a R$ 5,45, enquanto as bolsas de Nova York avançaram com força após a divulgação dos resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O pregão brasileiro oscilou entre 165.541,38 pontos, na mínima, e 167.986,37, na máxima. O volume negociado na B3 chegou a R$ 41,3 bilhões. O resultado veio antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada após o fechamento.
Bolsa brasileira recupera parte das perdas
O avanço do índice foi atribuído principalmente ao ambiente externo mais favorável a ativos de risco. A leitura dos investidores sobre o resultado eleitoral nos Estados Unidos ajudou a reduzir a procura por ativos considerados defensivos, movimento que também coincidiu com a queda do dólar ante o real.
Essa associação descreve a interpretação de mercado relatada ao longo do pregão, não uma relação automática entre eleição e cotação. Juros futuros, expectativas fiscais domésticas, preços de commodities e posições dos investidores também influenciam o comportamento diário da Bolsa.
As ações de petroleiras ficaram entre as pressões sobre o índice. O petróleo Brent para dezembro caiu 8,67%, a US$ 94,62 por barril, e os papéis de Petrobras, PRIO e Brava Energia perderam força. A queda da commodity limitou uma alta maior do Ibovespa, embora tenha ajudado a aliviar parte das preocupações com custos de energia.
Dólar recua e bolsas dos EUA têm alta expressiva
O dólar comercial terminou a R$ 5,45, em baixa de 0,64%. A moeda americana perdeu terreno em uma sessão de apetite maior por risco. A cotação de fechamento é a comercial do mercado à vista; ela não deve ser confundida com a taxa PTAX, calculada pelo Banco Central em janelas específicas.
Em Nova York, o Dow Jones avançou 3,03%, para 53.356,12 pontos. O S&P 500 subiu 1,58%, aos 7.688,62 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,44%, para 25.736,51. Os índices também reagiram ao recuo do petróleo e à redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
A queda do petróleo teve efeito ambíguo para o Brasil: pressionou ações de produtoras, mas pode aliviar custos para setores consumidores e reduzir riscos inflacionários, caso o movimento persista. Um único pregão, porém, não confirma uma tendência de preços.
Copom manteve a Selic em 13,75%
Depois do encerramento da B3, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, por decisão unânime. O comunicado destacou o aumento das incertezas, as expectativas de inflação mais altas e a desaceleração da atividade doméstica. O Comitê não sinalizou antecipadamente o próximo passo.
A decisão não alterou as negociações desta quarta, pois foi divulgada após o pregão, mas passa a orientar a leitura dos juros futuros na próxima sessão. Para empresas e famílias, a manutenção preserva o custo elevado do crédito; para aplicações de renda fixa pós-fixadas, mantém a referência nominal, sem eliminar o efeito de impostos, taxas e inflação.
O que acompanhar na próxima sessão
Os investidores devem observar a reação aos detalhes do comunicado do Copom, a trajetória dos juros futuros e a continuidade do movimento em Wall Street. A divulgação de balanços de companhias brasileiras também pode gerar oscilações específicas, independentemente do desempenho do índice.
No exterior, petróleo, rendimentos dos títulos americanos e desdobramentos institucionais após a eleição nos EUA permanecem no radar. No Brasil, a discussão fiscal e novos dados de emprego e inflação podem alterar as expectativas para a política monetária.
Para entender o efeito da taxa básica sobre investimentos, veja também nosso guia sobre funcionamento, liquidez e oscilações do Tesouro Selic.
Fontes: B3 — fechamento do Ibovespa, dólar, petróleo e volume negociado; Associated Press — índices de Wall Street; Reuters/Investing.com — decisão do Copom.





