A C&A encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões, queda de 23,3% em relação a igual período do ano anterior. A receita líquida, por outro lado, cresceu 2,3%, para R$ 1,88 bilhão.

O lucro contábil alcançou R$ 170,3 milhões, avanço de 145,1%. A diferença entre as duas medidas é relevante: o resultado reportado foi beneficiado por créditos fiscais de PIS e Cofins, excluídos do cálculo ajustado junto com outros efeitos não recorrentes.

Receita avançou, mas margem operacional recuou

O Ebitda da companhia foi de R$ 317,6 milhões, redução de 4,7% na comparação anual. A margem Ebitda caiu 1,2 ponto percentual, para 16,9%, indicando que o crescimento das vendas não se converteu em expansão proporcional do resultado operacional.

A leitura do trimestre, portanto, combina faturamento maior com pressão sobre a rentabilidade. Para entender o desempenho, é preciso olhar além do lucro líquido: receitas, despesas operacionais, margem e efeitos fiscais descrevem partes diferentes do negócio.

Investimentos cresceram 26,2%

O capex chegou a R$ 183,9 milhões, alta de 26,2% sobre um ano antes. A empresa direcionou recursos à reforma e expansão de lojas, ao início das operações do centro de distribuição do Nordeste e à instalação de caixas de autoatendimento.

Esses investimentos podem exigir desembolso antes de produzir ganhos operacionais. O efeito sobre produtividade, custos logísticos e experiência de compra deverá ser acompanhado nos próximos trimestres; o balanço atual não permite concluir, por si só, quanto cada iniciativa já contribuiu.

Estratégia para os próximos anos

A administração apresentou a estratégia Full Power para o ciclo de 2027 a 2030. A iniciativa foi lançada no C&A Day em agosto, portanto o plano não surgiu como resposta imediata ao resultado publicado nesta quarta-feira.

A companhia informou dívida líquida de R$ 200,5 milhões ao fim do trimestre. Como a divulgação consultada não traz a variação comparativa desse número no resumo publicado, ele deve ser lido como posição reportada, sem inferir uma melhora ou piora anual.

O que acompanhar

Os próximos balanços devem mostrar se a expansão das lojas, as reformas e o novo centro logístico ajudam a acelerar as vendas e recuperar margem. Também será importante observar se o lucro contábil volta a refletir mais diretamente a operação sem depender de créditos fiscais extraordinários.