O Banco Central estimou que 20,3 milhões de pessoas estavam em situação de endividamento de risco em junho de 2026. O número representa alta de 75% em relação a junho de 2021, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta semana.

Como o Banco Central define o risco

A expressão não significa que todos os integrantes do grupo estejam inadimplentes. O indicador procura identificar tomadores com sinais combinados de vulnerabilidade, como atraso prolongado, parcela elevada da renda comprometida com dívidas, uso simultâneo de modalidades caras ou renda residual muito baixa.

A metodologia considera a presença de pelo menos dois critérios. Por isso, uma pessoa pode ser classificada como endividada de risco mesmo sem atraso atual, enquanto outro consumidor com uma dívida vencida pode não preencher o conjunto necessário.

O dado mede uma situação financeira mais ampla que o cadastro de inadimplentes.

Como interpretar a alta sem confundir conceitos

O crescimento em cinco anos aponta que mais tomadores passaram a reunir fatores de fragilidade, mas não permite atribuir a mudança a uma causa isolada. Taxas, renda, custo de vida, oferta de crédito e composição das famílias influenciam a capacidade de pagamento de maneiras diferentes.

O relatório do BC também discute a resiliência do sistema financeiro e riscos para o crédito.

Efeitos para as famílias e leitura do dado

A preocupação para as famílias é concreta: comprometer parcela grande do orçamento reduz a margem para despesas essenciais e imprevistos, sobretudo quando a dívida envolve rotativo do cartão, cheque especial ou empréstimo sem garantia.

Para acompanhar o quadro, vale observar em conjunto inadimplência, comprometimento de renda e concessões de crédito.

Para o consumidor, comparar o Custo Efetivo Total, renegociar antes de acumular atrasos e evitar trocar uma dívida por outra mais cara são medidas práticas; não há uma solução única para todos os casos.

O total de 20,3 milhões é uma estimativa baseada em dados de crédito e critérios do Banco Central. Ele não equivale ao número de pessoas negativadas nem ao universo de famílias com qualquer tipo de dívida.

Essa distinção é essencial para que a estatística não seja interpretada como inadimplência generalizada.