O financiamento privado do agronegócio está usando instrumentos diferentes, segundo dados de mercado compilados até setembro de 2026. As emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) caíram 62,3% entre janeiro e setembro, enquanto as CPR Financeiras e os Fiagros registraram crescimento expressivo.

O que mostram os números

Os dados citados pela imprensa indicam que as emissões de CPR-F avançaram 202,7% e chegaram a R$ 11,8 bilhões no período. Os Fiagros cresceram 274,7%, alcançando R$ 10,2 bilhões. Esses percentuais partem de bases e modalidades diferentes e não devem ser comparados como se os produtos fossem equivalentes.

Uma redução na emissão de CRA também não significa que todo o crédito do agronegócio encolheu na mesma proporção. Empresas e produtores podem acessar bancos, títulos, fundos, instrumentos de crédito e recursos próprios, cada qual com custos e exigências distintos.

Diferenças entre CRA, CPR-F e Fiagro

O CRA é um título de securitização lastreado em recebíveis do agronegócio. A CPR-F é um título de crédito ligado à atividade rural, com liquidação financeira. Fiagros são fundos que podem investir em ativos do setor, incluindo crédito, imóveis rurais ou participações, conforme sua estratégia.

Para o investidor, cada estrutura tem riscos de crédito, liquidez, prazo e oscilação. Isenção tributária em determinadas condições não elimina risco de perda. O crescimento de uma categoria tampouco indica que ela seja adequada a todos.

Por que o mercado está diversificando

Juros, demanda por financiamento, custos de emissão, regras regulatórias e apetite dos investidores influenciam a escolha dos instrumentos. Mudanças de volume ao longo de poucos meses podem refletir calendário de operações ou decisões de grandes emissores.

Os dados da Anbima ajudam a acompanhar o mercado de capitais, mas não substituem a análise de cada operação. Quem avalia investimentos deve ler documentos, entender o emissor e considerar seus objetivos e tolerância a risco.