Um projeto da WEG com a GreenYellow prevê usinas solares em unidades do Grupo Carrefour Brasil, abrangendo as bandeiras Carrefour, Atacadão e Sam’s Club. A iniciativa utiliza o modelo de Energy as a Service (EaaS), no qual a GreenYellow assume a responsabilidade pelo financiamento, instalação e operação dos sistemas, enquanto a WEG atua como fornecedora da infraestrutura tecnológica e dos equipamentos necessários para a geração fotovoltaica.
A geração prevista deve cobrir mais de 30% do consumo elétrico das unidades contempladas. Potência e energia, porém, não são medidas intercambiáveis: megawatt-pico (MWp) expressa a capacidade nominal dos painéis em condições padronizadas, enquanto quilowatt-hora (kWh) mede energia ao longo de um período. A produção real varia com a disponibilidade solar e as condições de operação. Os números anunciados para o conjunto do projeto são:
- Capacidade de potência instalada: 38 MWp.
- Geração anual estimada: 56 milhões de kWh.
- Abrangência: 54 usinas em telhados de unidades Carrefour, Atacadão e Sam’s Club.
- Investimento previsto: Superior a R$ 100 milhões.
Mecanismo de autoconsumo e tecnologia grid zero
Um diferencial técnico do projeto é a adoção da tecnologia grid zero. Diferente dos sistemas convencionais de compensação, onde o excedente de energia gerada é injetado na rede elétrica para gerar créditos futuros, o modelo de autoconsumo direto foca no consumo imediato da energia produzida no local. Nesse sistema, a injeção de excedentes na rede é evitada, o que altera a dinâmica de interação com a concessionária local e foca na eficiência do uso interno da carga elétrica das lojas, minimizando o fluxo de energia para o sistema de distribuição externo.
No modelo de serviço, parte das responsabilidades que existiriam na compra e operação de uma usina própria fica com o fornecedor. Para o contratante, isso pode mudar o calendário dos desembolsos: em vez de realizar diretamente todo o investimento inicial, ele assume as condições de pagamento do serviço. O efeito financeiro depende do contrato, dos custos e do uso efetivo da geração. O anúncio não permite afirmar uma economia garantida para cada loja ou que todas as instalações já estejam em operação.
A efetividade financeira do projeto depende da correlação entre o perfil de consumo das unidades e a curva de geração solar, que é intermitente e varia conforme a sazonalidade e a incidência de radiação solar. Se o pico de geração ocorrer em horários de baixa demanda interna, a eficiência do modelo de autoconsumo pode ser afetada. Assim, a análise de viabilidade deve considerar não apenas a potência instalada, mas o alinhamento entre o comportamento de carga das lojas e a disponibilidade de recurso solar, para avaliar quanto da energia pode ser efetivamente aproveitado no local.
Informações: Click Petróleo e Gás.





