O consumo total de eletricidade no Brasil pode chegar a 979 terawatts-hora (TWh) em 2036, com crescimento médio de 3,4% ao ano, segundo o Caderno de Demanda do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética.

No mesmo horizonte, o consumo final de todas as formas de energia — não apenas eletricidade — passaria de 302 milhões para 362 milhões de toneladas equivalentes de petróleo. A projeção equivale a avanço médio de 1,8% ao ano entre 2026 e 2036, abaixo do ritmo estimado para o consumo elétrico.

Data centers podem consumir 30 TWh por ano

O caderno estima que data centers, eletromobilidade e unidades de produção de hidrogênio por eletrólise consumam juntos cerca de 47 TWh em 2036, mais de dez vezes a demanda estimada para 2026. Só os centros de processamento de dados responderiam por aproximadamente 30 TWh.

Esse crescimento torna a localização e o ritmo de entrada dessas cargas relevantes para o planejamento do sistema. Data centers demandam energia contínua e podem concentrar consumo em determinadas regiões; a projeção, contudo, não define quais projetos serão construídos, quando entrarão em operação nem quais contratos de fornecimento serão usados.

Consumo da rede é menor que o total projetado

O PDE separa o consumo total de eletricidade daquele atendido pela rede pública. A demanda fornecida pela rede deve subir de 620 TWh em 2026 para 878 TWh em 2036. O total de 979 TWh inclui também eletricidade gerada e consumida pelo próprio usuário, sem ser injetada no sistema elétrico.

A diferença importa para interpretar a necessidade de expansão da transmissão e da distribuição: nem todo aumento do consumo final se transforma automaticamente em energia que precisa atravessar as redes do Sistema Interligado Nacional. Ao mesmo tempo, mesmo o cenário de rede aponta crescimento de cerca de 42% em dez anos.

Indústria e transportes devem responder juntos por aproximadamente 62% do consumo final de energia em 2036. O plano prevê ganho de participação da eletricidade e do gás natural, embora derivados de petróleo continuem relevantes. São projeções de planejamento, não metas obrigatórias nem garantia de oferta.

O caderno divulgado pelo MME integra o PDE elaborado com a EPE. A consulta pública do plano fica aberta até 6 de novembro, prazo para empresas, especialistas e cidadãos enviarem contribuições às premissas e aos estudos.

Para o Brasil, a escala projetada conecta política energética a investimentos em geração, redes e armazenamento, além da disputa por novos empreendimentos intensivos em eletricidade. O resultado dependerá de demanda efetivamente contratada, infraestrutura disponível e da evolução tecnológica ao longo da próxima década.