O mercado de capitais brasileiro registrou um volume de ofertas de R$ 556,7 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, conforme dados da Anbima. O montante representa uma expansão de 5,3% em comparação ao mesmo intervalo de 2025..

O crescimento do total veio acompanhado de mudanças entre as modalidades, segundo reportagens do InfoMoney e da Exame sobre os dados. As ofertas de renda fixa diminuíram, enquanto os instrumentos classificados como híbridos mais que dobraram de volume e a renda variável avançou de R$ 4,2 bilhões para R$ 34,8 bilhões. Os valores do acumulado são:

  • Renda fixa: R$ 441 bilhões (queda de 9,8%)
  • Híbridos (FIIs e Fiagros): R$ 80,8 bilhões
  • Renda variável: R$ 34,8 bilhões

Diferenças entre captação e valorização de ativos

Ao analisar esses indicadores, é necessário distinguir o conceito de captação do valor de mercado dos ativos. A captação refere-se ao montante de recursos levantados pelos emissores por meio de novas ofertas. No mercado primário, esse fluxo financeiro é direcionado para o caixa das instituições, podendo ser utilizado para expansão de operações, novos investimentos ou amortização de passivos existentes. É o momento em que o capital sai do investidor e entra no balanço da companhia.

Por outro lado, as negociações no mercado secundário não geram novos recursos para as empresas emissoras. Nesse ambiente, a troca de titularidade dos ativos ocorre estritamente entre investidores, o que impacta a liquidez do mercado, mas não altera o saldo de caixa da companhia. Portanto, o crescimento nas ofertas primárias indica uma busca por financiamento, enquanto o volume no secundário reflete a movimentação de patrimônio entre agentes, sem necessariamente alterar a estrutura de capital da empresa.

A classificação usada no levantamento também merece atenção. A categoria de híbridos reúne FIIs e Fiagros, enquanto renda variável e renda fixa aparecem em grupos separados. Isso não significa que todos os fundos tenham a mesma carteira: um veículo pode ter imóveis, outro pode concentrar direitos creditórios ou outros ativos permitidos em sua política. O total da categoria informa a captação agregada, não o risco ou a remuneração de cada cota.

Entre os instrumentos de dívida, as debêntures de securitização somaram R$ 45,6 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 40,1%. Esse número corresponde aos nove meses, e não apenas ao terceiro trimestre. Na securitização, direitos de recebimento servem de base para uma estrutura de financiamento. A existência desses fluxos futuros não elimina o risco de atraso ou perda associado aos devedores e às condições da operação.

A renda fixa permanece com a maior parcela do volume, apesar da retração. Já o avanço de outras modalidades altera a composição do financiamento levantado no período. Os números de emissão não demonstram, por si sós, que os ativos ficaram mais rentáveis ou que investidores reduziram seus riscos. Para essas perguntas seriam necessários dados diferentes, como preços, pagamentos, inadimplência e características de cada instrumento, além do total ofertado.