O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (21) em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos, após começar o pregão acima dos 208 mil e perder força ao longo do dia.

No câmbio, a taxa PTAX de venda do Banco Central ficou em R$ 5,0277 por dólar. Em Wall Street, os principais índices fecharam no azul, impulsionados por balanços corporativos e ações ligadas à inteligência artificial.

O movimento mostrou uma diferença entre os mercados: o resultado de empresas ajudou as bolsas americanas, enquanto fatores locais e a reação a balanços pesaram sobre a Bolsa brasileira.

A cotação PTAX é uma taxa de referência calculada pelo BC; ela não equivale necessariamente ao preço de fechamento do dólar comercial negociado no mercado à vista nem ao valor cobrado em casas de câmbio.

Ibovespa recua com pressão sobre WEG e cautela local

Durante a sessão, o índice chegou a superar 209 mil pontos, mas virou para baixo. A Reuters registrou, em atualização às 15h48, perda de 0,83% aos 206.568,87 pontos, com mínima intradiária de 206.319,86. O fechamento consolidado depois dessa atualização ficou em 206.495 pontos, queda de 0,86%, segundo a série histórica consultada.

A principal pressão entre os papéis destacados pela Reuters foi WEG, que recuava 6,74% na atualização da tarde após divulgar lucro líquido de R$ 1,67 bilhão e Ebitda de R$ 2,35 bilhões no terceiro trimestre, ambos ligeiramente abaixo das estimativas de analistas compiladas pela LSEG.

A fabricante avançou no lucro em relação a um ano antes, mas a reação da ação mostrou que o mercado também compara os resultados com expectativas já incorporadas ao preço.

VAMOS caía 6,33% naquele recorte, após uma sequência de três altas que havia acumulado valorização superior a 18%. Vale recuava 1,79%, Petrobras PN perdia 0,34% e BTG Pactual caía 1,69%.

Entre as altas citadas pela Reuters no mesmo horário estavam Totvs, com avanço de 1,81%, Itaú Unibanco (+0,23%), Santander Brasil (+1,19%) e Auren Energia (+0,72%). Esses números são do retrato intradiário publicado às 15h48 e não devem ser lidos como a lista final de maiores altas e baixas do pregão.

Além da reação ao balanço da WEG, a cautela doméstica aumentou a oscilação. A Reuters relatou ajustes de posição antes da eleição e início da temporada brasileira de resultados.

Estrategistas da XP ouvidos pela agência avaliavam que as estimativas apontavam para uma temporada de balanços fraca, com desempenho mais favorável concentrado em óleo e gás e saúde, enquanto mineração, siderurgia e varejo apareciam entre os setores com perspectivas mais desafiadoras.

Trata-se de uma expectativa setorial, não de garantia sobre o desempenho de cada empresa.

Wall Street sobe com balanços; Netflix fica para trás

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 0,6%, para 7.757,17 pontos; o Dow Jones subiu 0,7%, a 52.856,09; e o Nasdaq ganhou 1,1%, a 26.702,86. O índice de empresas menores Russell 2000 teve alta de 0,3%, encerrando em 2.781,02 pontos.

Segundo a Associated Press, um resultado da SpaceX acima das projeções ajudou a estimular ações de tecnologia e inteligência artificial. A SpaceX subiu 7,8%, a Tesla ganhou 3,4%, a Nvidia avançou 2,5% e a Super Micro Computer saltou 9,5% após elevar a expectativa de receita com a demanda por servidores de IA.

Capital One e Winnebago também avançaram após resultados melhores que o esperado.

Nem todo balanço foi premiado. A Netflix caiu 5,3%: embora o lucro tenha superado as estimativas, investidores reagiram à previsão de crescimento de receita no último trimestre do ano, abaixo do esperado. A AT&T perdeu 6,4%, pressionada por uma projeção de crescimento considerada fraca por parte dos analistas.

Juros e petróleo continuam no radar

O avanço das bolsas americanas ocorreu apesar de custos de financiamento elevados. A taxa do título do Tesouro dos EUA de dez anos voltou a 5,12%, nível que pode tornar ações de crescimento mais sensíveis ao custo de capital.

O petróleo Brent oscilou entre US$ 108 e US$ 111 por barril e terminou a US$ 108,82, segundo a AP. A agência relacionou a volatilidade à incerteza sobre a normalização do setor global de energia em meio à guerra no Irã.

Para o investidor brasileiro, a sessão reforça que uma alta em Wall Street não se transmite automaticamente à B3. Balanços, composição do Ibovespa, fluxo de recursos, juros e incertezas locais também influenciam os preços.

O pregão de hoje foi um exemplo: tecnologia e resultados corporativos deram suporte aos índices americanos, mas a pressão sobre ações de peso e a cautela doméstica mantiveram o índice brasileiro em baixa. Os movimentos de um único dia, porém, não definem a tendência dos mercados.

Fontes: Reuters, via Notícias Agrícolas; Associated Press – fechamento de Wall Street; Banco Central – cotações PTAX; série histórica do Ibovespa.