O Ibovespa fechou em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, nesta quinta-feira (5), depois de tocar 168.994,33 pontos durante a sessão. O giro financeiro ficou em R$ 34,4 bilhões, segundo o balanço da B3.

O dólar comercial à vista avançou 0,68%, a R$ 5,4886. Já a cotação PTAX de venda, calculada pelo Banco Central a partir de consultas feitas ao longo do dia, caiu 0,29%, para R$ 5,4621; são referências diferentes e não devem ser confundidas.

Wall Street concentra pressão em tecnologia e inteligência artificial

O movimento mais intenso veio dos Estados Unidos. O S&P 500 caiu 4,4%, o Dow Jones recuou 3,4% e o Nasdaq perdeu 5,5%, na pior sessão do S&P desde abril de 2025, de acordo com a Associated Press.

A venda atingiu empresas associadas a chips, computação em nuvem e data centers. Nvidia recuou 9,3%, AMD caiu 17,3% e CoreWeave perdeu 9,8%. As cotações refletem uma reavaliação de risco e expectativa, não uma confirmação de que os investimentos em IA serão interrompidos.

O debate sobre o ritmo dos aportes em infraestrutura ganhou força porque esses projetos exigem capital elevado, energia e financiamento. O tema se conecta à discussão já publicada sobre gastos de big techs com data centers e retorno para investidores.

Ações brasileiras tiveram desempenho desigual

Entre os papéis de maior peso, Petrobras PN (PETR4) caiu 2,48%, enquanto Petrobras ON (PETR3) recuou 3,03%. Bradesco PN (BBDC4) perdeu 2,06%, em contraste com Itaú Unibanco PN (ITUB4), que subiu 0,65%.

Vale ON (VALE3) avançou 0,51% e Ambev ON (ABEV3) ganhou 1,51%. A dispersão mostra que a baixa do índice não foi uniforme: empresas respondem a fatores setoriais e balanços próprios, além do ambiente global.

O petróleo Brent subiu 3,9%, a US$ 98,29 por barril, recuperando parte da queda da véspera. A alta da commodity não impediu a baixa das ações da Petrobras, cujos preços também refletem expectativas, fluxo de investidores e fatores específicos da companhia.

Selic e fiscal seguem no radar local

No Brasil, investidores ainda digerem a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4). A manutenção preserva juros elevados para crédito e renda fixa, enquanto o mercado espera sinais sobre a trajetória fiscal e as próximas decisões de política monetária.

O fechamento desta quinta combinou pressão externa forte e cautela doméstica. A queda das bolsas americanas oferece contexto para o recuo local, mas não explica sozinha cada ação nem substitui a análise dos resultados corporativos e das condições brasileiras.