A Europa começa a temporada de inverno com reservas de gás em nível historicamente baixo, segundo alerta feito nesta sexta-feira (23) pelo diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol. Ele afirmou que a região teria pouca margem para absorver novos choques de oferta enquanto persistem tensões sobre o fornecimento global.

O quadro é acompanhado por governos e compradores porque a demanda por aquecimento aumenta nos meses frios. Caso a oferta fique mais apertada, países podem disputar cargas de gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional, elevando custos de importação e a volatilidade de preços.

O efeito pode atravessar fronteiras

O alerta não significa, por si só, que haverá falta de gás em toda a Europa nem permite prever a duração ou o tamanho de uma alta. Temperatura, consumo industrial, disponibilidade de navios e chegada de cargas influenciam o equilíbrio entre oferta e demanda. O nível dos estoques é um dos fatores, não uma previsão isolada de apagões ou racionamento.

Para o Brasil, a conexão é indireta: disputas por GNL podem alterar a referência de preços e a disponibilidade de cargas flexíveis. O país usa gás em indústrias, geração elétrica e outros segmentos, mas o impacto depende de contratos, produção nacional, importações e necessidade de acionamento de termelétricas.

Monitoramento no inverno

Os sinais a acompanhar são a velocidade de retirada dos estoques, a demanda causada pelo frio e a continuidade dos fluxos internacionais. A IEA também apontou que novos choques poderiam tornar mais difícil recompor a segurança energética da região.

O alerta foi divulgado durante a reunião de ministros da energia do G7, em Berlim, conforme relato da Al Jazeera sobre a avaliação da IEA.