O consumo aparente brasileiro de máquinas e equipamentos somou R$ 284,11 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, queda de 11,7% ante o mesmo período do ano passado. O indicador reúne produção nacional e importações, descontadas as exportações, e ajuda a dimensionar a demanda interna por bens de capital.
Em setembro, o consumo ficou em R$ 31,81 bilhões, estável em relação a agosto, mas 12,5% abaixo de setembro de 2025. Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos foram divulgados pelo portal CIMM.
Faturamento doméstico segue pressionado
A receita líquida total de vendas da indústria nacional alcançou R$ 23,44 bilhões em setembro, alta mensal de 2,8%, mas queda de 15,6% na comparação anual. No acumulado de nove meses, o recuo foi de 13,4%, segundo os números reportados a partir do levantamento da Abimaq.
Máquinas agrícolas também sentiram a fraqueza interna. A receita do segmento somou R$ 41,5 bilhões entre janeiro e setembro, redução de 21,6% em um ano. Em setembro, as vendas caíram 15,7% ante o mesmo mês de 2025, apesar de crescerem 8,2% na comparação com agosto.
Exportações avançam, mas não compensam o mercado interno
As exportações de máquinas e equipamentos chegaram a US$ 10,15 bilhões de janeiro a setembro, aumento de 5,5% em dólares. Os embarques de setembro atingiram US$ 1,34 bilhão, alta de 12,8% frente a agosto e praticamente estáveis em relação a setembro do ano passado.
Os Estados Unidos responderam por US$ 2,58 bilhões, ou 25,4% das exportações do setor no período. Componentes para bens de capital, logística e construção civil e máquinas agrícolas tiveram crescimento nos embarques, de acordo com a ANBA.
O indicador e seus limites
Consumo aparente não é sinônimo de faturamento das fabricantes brasileiras: ele inclui equipamentos importados e exclui a parcela exportada da produção local. Por isso, o indicador pode cair mesmo com aumento das vendas externas, como ocorreu no acumulado deste ano.
A retração sugere demanda doméstica mais fraca por investimento em equipamentos, mas não identifica sozinha as causas nem o comportamento de cada ramo. As séries completas da Abimaq permitem observar diferenças entre máquinas agrícolas, bens de capital e segmentos ligados à construção e à infraestrutura.





