A confiança dos empresários avançou em 27 dos 29 setores industriais pesquisados em outubro, mas o movimento ainda não representa uma recuperação ampla.

O total de segmentos acima de 50 pontos passou de quatro para oito, enquanto a avaliação das condições atuais continuou limitando o otimismo.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) setorial é divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e varia de zero a 100. Leituras acima de 50 indicam confiança; abaixo desse nível, apontam falta de confiança.

A melhora do mês veio principalmente das expectativas para a economia e para os próprios negócios.

Quais setores cruzaram a linha dos 50 pontos

Extração de minerais não metálicos, impressão e reprodução, produtos de material plástico, alimentos e produtos diversos passaram ao campo de confiança. Ao mesmo tempo, o índice caiu nos segmentos ópticos e de calçados; neste último, a leitura ficou abaixo de 50.

A diferença entre a quantidade de setores que melhoraram e a quantidade que já demonstra confiança é importante: uma alta mensal pode reduzir o pessimismo sem significar que a atividade esteja em expansão. O indicador mede percepção empresarial, não produção realizada.

Grandes empresas e regiões mostram trajetórias diferentes

Entre as empresas grandes, o ICEI subiu 3,2 pontos e alcançou 50,2, voltando por pouco ao campo positivo.

Pequenas indústrias chegaram a 48 pontos, após alta de 3,4 pontos, e médias avançaram 2,8 pontos, para 47,7; ambas ainda ficaram abaixo do limite.

O Nordeste marcou 53,1 pontos e permaneceu confiante. O Centro-Oeste saiu de 48,6 para 51,9, enquanto o Norte avançou 5,5 pontos, para 49,8.

Sudeste e Sul também melhoraram, mas seguiram abaixo de 50, com 48,3 e 44,9 pontos, respectivamente.

A pesquisa ouviu 1.626 indústrias entre 1º e 13 de outubro: 671 pequenas, 588 médias e 367 grandes. A CNI atribuiu a melhora à expectativa para os próximos meses, mas observou que a percepção das condições correntes ainda mantém o pessimismo disseminado.

Para empresas e fornecedores, o dado é um sinal antecedente de sentimento, não uma garantia de aumento imediato de encomendas, investimento ou contratação.

A persistência das leituras abaixo de 50 em pequenas e médias empresas e no Sul e Sudeste mostra que a melhora permanece desigual.