A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade da MBRF em Promissão, no interior de São Paulo. A restrição, identificada pelo Serviço de Inspeção Federal como SIF 2543, entrou em vigor em 22 de outubro.

A informação consta na base chinesa de estabelecimentos estrangeiros autorizados a exportar alimentos, mantida pela Administração-Geral das Alfândegas da China. A medida se limita à planta citada e não representa um embargo nacional à carne brasileira.

Motivo ainda exige atribuição cuidadosa

Reportagens publicadas nesta terça-feira atribuíram a suspensão à detecção de resíduos de acaricida em cargas. A CNN informou, porém, que as autoridades chinesas não divulgaram publicamente o motivo da restrição.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina disse ao Estadão Conteúdo que não havia sido comunicada oficialmente sobre a suspensão. A MBRF também não atribuiu uma causa à medida na manifestação citada pelas reportagens.

Por isso, a hipótese sobre resíduos deve ser tratada como informação atribuída a fontes, e não como conclusão oficial publicada pela China ou pela empresa.

A distinção importa porque os procedimentos sanitários podem mudar conforme a apuração e as medidas corretivas.

Empresa redireciona volumes para Mato Grosso

A MBRF informou que já começou a transferir os volumes antes destinados à unidade de Promissão para seu complexo industrial em Várzea Grande, no Mato Grosso. Segundo a companhia, essa planta tem capacidade para atender à demanda chinesa.

A empresa também possui outros quatro complexos habilitados a exportar carne ao mercado chinês: três no Uruguai e um na Argentina, de acordo com as informações repassadas à imprensa.

A transferência permite que a companhia mantenha parte do atendimento ao comprador chinês por outras unidades autorizadas. As fontes consultadas não detalharam o volume que era embarcado por Promissão nem o custo operacional da mudança.

Impacto é específico da unidade

A restrição ocorre enquanto o setor acompanha a próxima cota chinesa para carne bovina, prevista para janeiro de 2027. A suspensão de uma planta pode alterar a logística da empresa, mas não equivale à interrupção dos embarques brasileiros.

O caso também não confirma, por si só, uma mudança na demanda chinesa por carne do Brasil. Para avaliar o efeito comercial, serão relevantes a duração da suspensão, a redistribuição da produção e eventual comunicação oficial sobre as exigências sanitárias.