Exportação sobe, mas o crescimento se concentra em uma variedade
O Brasil exportou 401,69 mil toneladas de feijão entre janeiro e setembro de 2026, ante 360,50 mil toneladas no mesmo período do ano passado, alta de 11,4%, segundo levantamento da Safras & Mercado.
O avanço de 41,19 mil toneladas foi puxado pelo feijão mungo, enquanto o feijão comum e o caupi perderam volume. Assim, o resultado total não representa crescimento uniforme de todas as variedades.
Mungo cresce 70,3% e supera 300 mil toneladas
Os embarques de feijão mungo atingiram 304,26 mil toneladas, alta de 70,3% e acréscimo de 125,64 mil toneladas em relação a janeiro-setembro de 2025.
A variedade respondeu por aproximadamente 75,7% das exportações das quatro categorias consideradas no levantamento. A expansão altera a composição da pauta e mostra como um produto específico pode puxar o desempenho agregado de um grupo agrícola.
Índia concentra a maior parte da demanda
A Índia recebeu 245,56 mil toneladas de mungo brasileiro, cerca de 80,7% dos embarques da variedade. Também houve avanço das vendas para Vietnã, Tailândia, Paquistão e Filipinas, mas a participação indiana continua dominante.
Essa concentração pode facilitar a escala comercial enquanto a demanda se mantém, ao mesmo tempo que deixa o exportador mais exposto a mudanças de compra, preço ou política no principal destino.
Feijão comum e caupi tiveram trajetórias opostas
As vendas externas de feijão comum caíram de 114,56 mil para 46,12 mil toneladas, retração de 59,7%. O feijão preto recuou 68,5%, para 18,56 mil toneladas.
O caupi diminuiu 23,9%, a 50,81 mil toneladas, e a Índia absorveu cerca de 74,3% dessa categoria. A redução desses grupos explica por que o crescimento total depende tanto do mungo.
Diversificar mercados será importante para a próxima temporada
A continuidade dos embarques dependerá da demanda internacional e da capacidade brasileira de manter oferta competitiva.
Para o feijão comum e o caupi, uma recuperação dependerá da retomada dos compradores que reduziram pedidos; para o mungo, a diversificação de destinos pode reduzir a exposição a um único mercado.
Os dados disponíveis cobrem até setembro e não antecipam o desempenho do último trimestre nem o preço recebido pelos produtores.
Fontes: Safras & Mercado — exportações de feijão até setembro; MDIC — Comex Stat, estatísticas do comércio exterior.






