A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) registrou lucro líquido de R$ 616 milhões no terceiro trimestre, alta de 367% na comparação anual e de 50% ante o trimestre anterior. A receita líquida consolidada também bateu recorde, em R$ 2,654 bilhões.

O resultado exige separar desempenho operacional de eventos financeiros. A CBA reconheceu R$ 526 milhões relacionados a desconto na liquidação antecipada de obrigações de Uso do Bem Público (UBP), contribuição relevante para o resultado financeiro positivo do trimestre.

Receita cresce com preços e mix de produtos

A receita aumentou 18% em um ano, embora o volume de vendas tenha permanecido estável em 132 mil toneladas. A companhia atribuiu o avanço a preços realizados mais altos e a uma participação maior de produtos de valor agregado no mix comercializado.

O preço médio do alumínio na London Metal Exchange foi de US$ 3.226 por tonelada, alta anual de 23%. A referência internacional ajuda a contextualizar a receita, mas não equivale ao preço final recebido pela CBA, que também depende de produtos, contratos e custos.

Operação melhora, mas Ebitda recua ante o 2T26

O Ebitda ajustado somou R$ 565 milhões, 142% acima do 3T25, mas 20% abaixo dos R$ 705 milhões do trimestre anterior. A margem ajustada foi de 21%, com expansão anual de 11 pontos percentuais e recuo trimestral de seis pontos.

O custo médio de produção do alumínio líquido ficou em R$ 11.845 por tonelada, o menor desde o primeiro trimestre de 2025. A empresa associou parte dessa melhora à maior geração própria de energia, fator relevante em um segmento eletrointensivo.

Endividamento permanece estável

A dívida líquida fechou setembro em R$ 2,755 bilhões, praticamente no mesmo nível de junho, quando era de R$ 2,801 bilhões. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado caiu de 1,68 vez para 1,38 vez, também abaixo dos 2,45 de um ano antes.

A liquidação das obrigações da UBP gerou saída líquida de caixa de R$ 262 milhões. Depois dos efeitos tributários, o ganho líquido reconhecido na operação foi de R$ 315 milhões, diferença que ajuda a explicar por que lucro contábil e geração de caixa não caminham sempre juntos.

Venda de controle ainda depende de aprovações

A venda da participação de 68,596% da Votorantim para um consórcio formado por Chalco e Rio Tinto seguia sujeita a condições precedentes e aprovações regulatórias. O fechamento também prevê oferta pública de aquisição para os demais acionistas; não se trata de operação já concluída.