A confiança dos empresários industriais melhorou em outubro, mas a leitura do presente ficou ainda mais fraca. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), avançou 1,3 ponto, de 44,9 em setembro para 46,2 pontos. O resultado segue abaixo de 50, linha que separa confiança de falta de confiança.
Com isso, a indústria completa 22 meses consecutivos sem alcançar a faixa de confiança. O indicador também continua distante de sua média histórica, de 53,2 pontos. A alta mensal, portanto, mostra uma redução do pessimismo em parte das expectativas, mas não uma mudança de sinal do setor.
O movimento apareceu principalmente nas perspectivas para os próximos seis meses. O componente de expectativas subiu 2,1 pontos, para 49,3, aproximando-se da marca de 50, mas ainda abaixo dela. Já o índice de condições atuais recuou 0,2 ponto, para 40,0, o menor resultado desde julho de 2020.
A diferença entre os componentes ajuda a entender o resultado: os empresários ficaram menos pessimistas sobre os próximos meses, enquanto a avaliação da situação atual piorou. O ICEI mede percepção e expectativa dos participantes; não mede diretamente o volume produzido, as vendas ou o desempenho financeiro das empresas.
A CNI ouviu 1.103 empresas industriais entre 1º e 7 de outubro: 456 pequenas, 414 médias e 233 grandes. A pesquisa é nacional e considera as respostas dos empresários sobre as condições atuais da economia e dos próprios negócios, além de suas perspectivas.
A leitura de outubro deve ser acompanhada junto com outros indicadores de atividade. A eventual passagem das expectativas acima de 50 pontos mostraria melhora da confiança nesse componente, mas a avaliação das condições atuais permanece em nível significativamente inferior. Uma pesquisa de percepção, isoladamente, não permite concluir que a produção industrial já esteja se recuperando.
Na avaliação da CNI, a percepção empresarial tem sido afetada por fatores como demanda industrial mais fraca, custos elevados e incertezas internacionais, conforme relatou a entidade à Agência Brasil. Esses elementos ajudam a contextualizar por que a expectativa pode melhorar antes de a avaliação do cenário corrente reagir. A estimativa de crescimento da economia em agosto, baseada em outro indicador, é detalhada nesta matéria sobre a leitura da FGV.
Indicador e metodologia: CNI, ICEI de outubro de 2026.





