A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) projeta que o Brasil embarque 3,33 milhões de toneladas de soja em novembro. A estimativa é inferior aos 6,01 milhões de toneladas registrados em outubro e também fica abaixo do volume de novembro de 2025, refletindo a sazonalidade dos embarques entre safras.

O que explica a desaceleração mensal

A previsão de novembro representa queda de 44,5% frente ao mês anterior e de 21,3% na comparação anual. O recuo de um mês para outro não indica, por si só, perda de competitividade: a disponibilidade exportável muda conforme a colheita, a formação de estoques e o calendário de embarque.

Em outubro, a associação já havia reduzido sua estimativa de embarques de soja e milho, como mostramos nesta análise da projeção anterior.

Para interpretar o dado, é importante separar a projeção mensal do balanço anual. A ANEC ainda estima que os embarques de soja em 2026 cheguem a 114 milhões de toneladas. O número é uma projeção, sujeita a revisões conforme a programação dos navios e os dados efetivos de alfândega.

Como está o acumulado do ano

Segundo os números citados pela associação, o Brasil havia embarcado 110,74 milhões de toneladas até o período mais recente, alta de 4,8% sobre igual intervalo de 2025. Essa trajetória acumulada pode coexistir com uma previsão menor para novembro, porque compara janelas diferentes.

O farelo de soja também aparece na programação de exportações, com estimativa de 2,23 milhões de toneladas para novembro. O produto atende a cadeias de alimentação animal e tem dinâmica de comércio própria; não deve ser somado automaticamente ao volume de grão quando se analisa a projeção da soja em grão.

O que acompanhar nas próximas semanas

Os embarques efetivamente realizados, a fila de navios nos portos e as próximas revisões da ANEC ajudam a medir se a previsão se confirma. Também será necessário acompanhar a demanda dos compradores e o avanço da oferta sul-americana na próxima safra, sem transformar uma estimativa mensal em tendência definitiva.