Christine Lagarde deixará a presidência do Banco Central Europeu (BCE) em 7 de fevereiro de 2027, quase nove meses antes do fim previsto de seu mandato. A instituição confirmou a decisão nesta quinta-feira, 29 de outubro.

Em comunicado, o BCE informou que Lagarde comunicou a saída ao Conselho do banco e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa. O mandato de oito anos terminaria em 31 de outubro de 2027, conforme a lista oficial de dirigentes da instituição.

Conselho Europeu escolherá o sucessor

A substituição será definida pelo Conselho Europeu, após o processo de indicação previsto nos tratados da União Europeia. A decisão abre a disputa pela liderança de uma instituição que conduz a política monetária dos países que usam o euro.

A Associated Press informou que a saída antecipada permitirá aos atuais líderes europeus escolher o sucessor antes da eleição presidencial francesa de 2027. O comunicado do BCE, porém, não apresentou uma justificativa para a data escolhida.

A agência também citou o ex-presidente do banco central dos Países Baixos, Klaas Knot, e o espanhol Pablo Hernández de Cos entre nomes apontados como possíveis candidatos. A escolha ainda não foi anunciada, e essa lista não representa uma indicação formal do BCE ou do Conselho Europeu.

Decisão sobre juros continua no radar

A notícia chega no dia de uma reunião de política monetária. O BCE deve divulgar sua decisão sobre os juros às 14h15 de Frankfurt, 10h15 em Brasília, e Lagarde tem coletiva marcada para 10h45 no horário brasileiro. Até a publicação desta matéria, o resultado ainda não havia saído.

Em setembro, o banco elevou a taxa de depósito para 2,50%. A Reuters informou que investidores esperavam uma manutenção nesta quinta-feira, mas também monitoravam os títulos públicos da França e os sinais sobre a trajetória futura dos juros.

Para o Brasil, a sucessão no BCE pode importar por seus efeitos sobre juros europeus, euro e condições financeiras globais. Isso não determina sozinho o câmbio ou os ativos brasileiros, que também respondem à política monetária local, ao cenário fiscal e ao apetite internacional por risco.