A Shell informou nesta quinta-feira, 29 de outubro, lucro ajustado de US$ 10,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado superou a média das estimativas de analistas compiladas pela empresa, de US$ 10,33 bilhões, e ficou perto do dobro do registrado um ano antes.

A companhia também anunciou um programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões para os próximos três meses, acima dos US$ 3 bilhões comunicados no trimestre anterior. A empresa afirmou que a operação será concluída antes da divulgação do balanço do quarto trimestre.

Refino e gás impulsionaram o resultado

As margens de refino atingiram US$ 42 por barril, ante US$ 24 no segundo trimestre e US$ 11,60 no mesmo período de 2025, segundo dados citados pela Reuters. Preços mais altos de gás natural liquefeito também contribuíram para o desempenho.

A Shell atribuiu o avanço a uma combinação de fatores operacionais e condições de mercado. O número de lucro divulgado pela empresa é o ajustado, métrica que exclui itens considerados não recorrentes; ele não deve ser confundido automaticamente com o lucro líquido contábil.

O trimestre também refletiu volatilidade em petróleo e gás. Cotações mais elevadas podem ampliar receitas de produtores, mas resultados dependem de volumes vendidos, custos, contratos, operações de refino e mudanças nos preços ao longo do período.

O que o resultado representa para o setor de energia

A recompra de ações devolve capital aos acionistas e reduz a quantidade de papéis em circulação, mas não equivale a um pagamento de dividendo nem garante valorização futura. A decisão ocorre após a geração de caixa que a empresa atribui ao trimestre.

No Brasil, a Shell é uma das maiores produtoras estrangeiras de petróleo e gás e participa de projetos no pré-sal. Ainda assim, o balanço global da companhia não determina os preços locais de combustíveis: câmbio, petróleo, refino, tributos e decisões comerciais também entram nessa formação.

O comunicado da empresa destaca que o forte resultado foi obtido em um ambiente de preços elevados e margens de refino recordes. Para avaliar a continuidade do desempenho, os próximos balanços precisarão mostrar se essas condições persistem e como os investimentos se convertem em produção e caixa.