A Motiva (MOTV3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 9,8% na comparação anual. O resultado ajustado busca mostrar a operação recorrente, separando efeitos extraordinários do período.

A receita líquida ajustada chegou a R$ 3,806 bilhões, alta de 13,6%. O Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 2,521 bilhões, avanço de 13,4% em um ano.

Venda de aeroportos ampliou o lucro contábil

A venda do segmento de aeroportos teve impacto positivo de R$ 2,72 bilhões no lucro líquido reportado. Esse efeito não recorrente explica por que o resultado contábil total ficou muito acima do lucro ajustado de R$ 750 milhões.

Separar as duas medidas evita comparar como se fossem equivalentes um ganho de venda de ativos e o desempenho das operações regulares. A leitura do lucro ajustado deve ser acompanhada da explicação sobre o evento extraordinário.

Rodovias e trilhos sustentam a expansão operacional

A empresa atribuiu o crescimento da receita a reajustes tarifários, ao desempenho da plataforma de trilhos e ao início da cobrança de pedágio em concessões rodoviárias no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

As receitas complementares aumentaram 23%, para R$ 92 milhões. Já os investimentos em rodovias e trilhos somaram R$ 2,275 bilhões no trimestre, avanço de 2,9% ante o mesmo período de 2025; no acumulado de nove meses, chegaram a R$ 5,579 bilhões.

Endividamento e eficiência entram no radar

A alavancagem financeira ajustada terminou setembro em 3,2 vezes, abaixo das 3,6 vezes registradas um ano antes. A relação entre despesas operacionais com efeito caixa e receita ajustada, excluindo aeroportos, caiu para 34,4% nos últimos 12 meses.

O resultado supera a média de lucro esperada por analistas consultados pela LSEG, mas a receita ficou abaixo da estimativa de consenso citada pela Reuters. Essas comparações ajudam a entender a reação do mercado, embora não substituam a análise do fluxo de caixa e das obrigações futuras.

Para os próximos trimestres, os principais pontos serão a integração das concessões, a execução do plano de investimentos, o custo da dívida e a manutenção do crescimento de tráfego e receitas. Resultados ajustados positivos não eliminam os riscos próprios de negócios intensivos em capital.