A inflação subjacente do Japão voltou a ultrapassar a meta de 2% do Banco do Japão. O núcleo do índice de preços ao consumidor (IPC), que exclui alimentos frescos, mas inclui combustíveis, subiu 2,1% em setembro na comparação anual, ante 1,7% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23).

O resultado ficou em linha com a mediana das estimativas de economistas consultados pela Reuters e marcou a primeira leitura acima da meta em nove meses. Outra medida, que também exclui energia, avançou 2,4% em 12 meses, depois de alta de 1,9% no mês anterior.

Energia e câmbio mantêm pressão sobre os preços

O dado é acompanhado pelo Banco do Japão para avaliar se a alta de preços está se disseminando além de fatores temporários. O encarecimento de combustíveis e de produtos importados, influenciado pelo iene mais fraco, compõe o quadro descrito pela agência de notícias. Subsídios de energia ajudaram a conter parte da pressão, mas não impediram a aceleração do indicador.

A leitura não determina sozinha a próxima decisão de juros. Ela será considerada junto de salários, consumo e outras medidas de inflação. O Banco do Japão já elevou a taxa básica no mês passado, e o mercado observa a comunicação da instituição sobre os próximos passos.

Para o Brasil, a relevância é principalmente financeira: mudanças nas expectativas para juros japoneses podem influenciar fluxos globais de capital e operações de câmbio. Não há, porém, um efeito automático sobre a Selic ou sobre os preços brasileiros. A série oficial pode ser consultada no painel de preços do Statistics Bureau of Japan, com a repercussão e os detalhes reunidos pela Reuters.