A parcela mensal é a primeira coisa que muita gente compara ao receber uma proposta de empréstimo, mas ela não mostra sozinha quanto o crédito custará. Prazo, juros, tarifas, seguros e outros encargos podem alterar bastante o valor final.
Antes de aceitar, vale comparar o Custo Efetivo Total (CET), o montante total a pagar e o espaço que as prestações ocuparão no orçamento até o fim do contrato.
O que o CET acrescenta à comparação
O CET reúne em uma taxa percentual os custos associados à operação, além dos juros. O Banco Central diz que as instituições devem informar o CET de cada operação de crédito para que o consumidor possa comparar propostas. Veja os cuidados do BC na contratação de crédito.
Para empréstimos consignados, o órgão também recomenda verificar se a instituição está autorizada, ler o contrato e não pagar valores antecipados para liberar o crédito; consulte a orientação específica para consignado.
O Procon do Espírito Santo explica que o CET pode incluir juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas. Por isso, uma taxa de juros anunciada como menor não garante, por si só, o menor custo total. A orientação do órgão está detalhada neste material sobre como exigir e comparar o Custo Efetivo Total.
Compare propostas equivalentes
Para que a comparação ajude, peça propostas para o mesmo valor e, sempre que possível, para o mesmo prazo. Anote em uma tabela o valor líquido que entrará na conta, o CET mensal e anual informado, o número de parcelas, o valor de cada prestação, a soma total e a data do primeiro pagamento.
Confira se há seguro ou serviço incluído e se ele é opcional. Uma proposta com prestação menor pode durar mais tempo e terminar com um total maior.
Também confirme se o valor depositado será igual ao valor contratado. Se houver descontos no início, identifique o motivo e pergunte como eles entram no CET.
Peça a planilha ou demonstrativo da operação e guarde a proposta. Não compare apenas anúncios, porque as condições finais dependem do perfil, do prazo, da modalidade e da instituição.
Faça o teste no orçamento antes de aceitar
Some a nova prestação às contas fixas e às parcelas já contratadas. Considere despesas que não chegam todo mês, como impostos, manutenção da casa e matrícula, e confira se o orçamento continuaria funcionando em um mês de renda menor.
O objetivo não é prever tudo, mas evitar que um crédito aparentemente viável dependa de atrasar outra conta ou usar o cartão para despesas básicas.
Se a proposta for para substituir uma dívida, compare o saldo que será quitado com o total do novo contrato, incluindo prazo e encargos.
O valor da parcela isolada não mostra se a troca reduz o custo ou apenas alonga o pagamento. A matéria sobre organização de dívidas por valores e vencimentos ajuda a reunir esses compromissos antes de conversar com o credor.
Cuidados com ofertas e contratação
Desconfie de cobranças antecipadas para liberar dinheiro, pedidos de senha, contratos em branco e promessas de aprovação garantida.
Confira a instituição nos canais oficiais do Banco Central e leia o contrato antes de confirmar. Em caso de dúvida, interrompa o processo e procure diretamente a instituição pelos contatos divulgados em seu site ou aplicativo oficial.
O CET não escolhe o empréstimo por você: ele torna os custos mais comparáveis. A decisão depende da finalidade do crédito, da urgência, da renda e das obrigações existentes.
Registrar os números e comparar o total dá uma visão mais completa do compromisso que seguirá no orçamento depois que o dinheiro for usado.





