Assistentes pessoais de inteligência artificial estão começando a executar tarefas online em nome dos usuários, como organizar agendas, reservar serviços e concluir compras.

O avanço e os limites desse modelo foram tema de uma análise do The Economist publicada em 21 de outubro, que descreve a disputa entre produtos como Muse, da Meta, e Instinct, uma startup.

A diferença em relação a um chatbot comum é a capacidade de agir em várias etapas e continuar trabalhando depois de receber uma instrução. Segundo dados da Sensor Tower citados pelo The Economist, o aplicativo Muse superou 10 milhões de downloads pouco mais de um mês após a estreia.

O número indica alcance inicial, mas, sozinho, não informa quantas pessoas mantêm o uso nem se confiam ao agente tarefas sensíveis.

Mais autonomia exige mais controle

Para cumprir tarefas, um agente pode precisar de acesso a calendário, mensagens, contas de compra e formas de pagamento. Isso cria uma troca: quanto mais permissões o usuário concede, mais ações podem ser automatizadas, mas também aumenta o impacto de uma instrução mal interpretada ou de um erro.

O The Economist cita riscos como tentativas de manipular o agente por meio de conteúdo oculto em páginas da internet.

A Meta afirma que o Muse opera em uma máquina virtual dedicada por usuário e pede autorização antes de algumas ações, como enviar mensagens ou fazer compras. A empresa também diz que mantém um registro das ações.

Essas são salvaguardas descritas pela própria companhia; elas não eliminam a possibilidade de falhas. Em reportagem publicada pela Associated Press, um usuário relatou que o agente compartilhou seu endereço ao negociar a venda de um item no Marketplace, após permissões concedidas anteriormente.

Empresas ainda definem até onde os agentes podem ir

O funcionamento desses assistentes depende também de lojas, plataformas e serviços permitirem a interação automatizada. O The Economist relata que algumas empresas trabalham para viabilizar compras feitas por Muse e Instinct, enquanto outras ainda restringem o acesso.

Sem integração confiável com os serviços em que as tarefas acontecem, o agente pode prometer conveniência, mas não concluir o percurso inteiro.

A Meta afirma que o Muse pode pedir aprovação para ações sensíveis e permite que o usuário altere ou retire permissões. Para quem avalia esse tipo de ferramenta, a questão prática é entender o que cada acesso permite e revisar as confirmações antes de autorizar compras, mensagens ou compartilhamento de informações.

O crescimento de downloads mostra interesse; a adoção duradoura dependerá também de previsibilidade e controle.