A concessionária Arteris ViaPaulista iniciou a aplicação de vergalhões fabricados com 100% de matéria-prima reciclada nas obras de duplicação da rodovia SP-255, no trecho compreendido entre Igaraçu do Tietê e Avaré. O projeto-piloto, que abrange uma extensão de 57 quilômetros, utiliza o aço produzido pela ArcelorMittal, cuja fabricação é alimentada por eletricidade de fontes renováveis. Esta medida integra o plano de descarbonização da empresa e busca mitigar o impacto ambiental das intervenções de infraestrutura rodoviária por meio da redução de emissões de Escopo 3, que englobam as cadeias de suprimentos.
Métricas de descarbonização e limites operacionais
A substituição do aço convencional pelo material reciclado tem redução estimada pela empresa de 68% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas especificamente ao uso desse insumo. É necessário distinguir, contudo, que essa redução não se aplica à totalidade da obra. Em termos de contabilidade de carbono, o impacto de um projeto de engenharia é composto por diversas camadas, incluindo o transporte de materiais, a operação de maquinário pesado e a produção de outros componentes como cimento e asfalto. Portanto, o uso de aço de baixo carbono reduz a pegada de um componente específico, mas não torna o empreendimento integralmente neutro em carbono.
A origem reciclada da matéria-prima e a adequação do material ao projeto são questões diferentes. Para a obra, continuam relevantes as especificações de resistência, as condições de fornecimento e a rastreabilidade dos lotes. Na avaliação ambiental, conhecer a origem da sucata e da eletricidade ajuda a delimitar o que está sendo comparado. Um percentual de redução só pode ser interpretado corretamente quando se sabe qual produto convencional foi usado como referência e quais etapas entraram na conta.
Investimentos e análise de viabilidade
O investimento de R$ 330,7 milhões está associado ao conjunto das obras de duplicação, cuja conclusão é prevista para 2030. Trata-se do orçamento da intervenção, não de uma compra de aço nesse mesmo valor. Para analisar a viabilidade de uma mudança de insumo, seria necessário conhecer seu custo específico e sua participação no orçamento, dados que não podem ser obtidos apenas pelo montante global. Também seria inadequado tratar o prazo da obra como data de entrega de todo o material.
Uma eventual ampliação do uso de materiais semelhantes depende de condições de fornecimento, desempenho e custo em cada projeto. Como raciocínio econômico, uma opção com menor emissão por unidade pode ter efeitos distintos sobre o orçamento conforme a quantidade comprada, a distância do fornecedor e o cronograma de entrega. Esses fatores não comprovam um benefício financeiro já obtido na SP-255; mostram quais informações adicionais seriam necessárias para avaliar o resultado do piloto além do indicador ambiental divulgado.





