A Petrobras, a Braskem e a Ultrapar avaliam um projeto de investimento estimado em R$ 6 bilhões para a conversão da Refinaria Riograndense, situada em Rio Grande (RS), em uma unidade de processamento de matérias-primas renováveis. De acordo com informações do Click Petróleo e Gás, os estudos técnicos necessários para a viabilidade da transição foram concluídos e o processo agora aguarda a deliberação dos acionistas, que detêm participações iguais de 33,20% no capital da refinaria.

É necessário distinguir o estágio atual de planejamento da execução financeira. Embora o montante de R$ 6 bilhões represente uma estimativa de custo para a transformação estrutural, o valor não configura um capex aprovado, mas sim uma proposta em análise. A decisão final sobre o aporte de capital depende das deliberações necessárias nas empresas envolvidas. A existência de estudos é diferente do compromisso de realizar todos os desembolsos previstos.

  • Conversão pretendida para produção de diesel renovável, Bio-GL e bioaromáticos.
  • Autorização da ANP para processamento de carga 100% renovável via óleo vegetal.
  • Histórico de testes industriais com óleo de soja (2023) e óleo de pirólise (2025).
  • Projeção condicional de redução de emissões entre 65% e 80%.

Diferença entre autorização regulatória e viabilidade econômica

A ANP concedeu em 26 de janeiro de 2026 autorizações para processamento contínuo de carga 100% renovável e para produção e comercialização de Bio-GL, conforme seu comunicado. Esse ato tem escopo próprio e não deve ser descrito como a aprovação, pelos acionistas, de todo o projeto de R$ 6 bilhões. Também não cabe presumir que a autorização só possa ter aplicação depois desse investimento: o processo autorizado e a conversão industrial pretendida são questões distintas.

As estimativas de redução de emissões entre 65% e 80% também dependem da rota e do produto considerados. Não são uma medição de que toda a instalação já passou a emitir esse percentual a menos, nem significam emissão zero. Para comparar resultados ambientais, seria necessário delimitar a referência e as etapas incluídas. A origem renovável de uma matéria-prima é uma informação relevante, mas não resume, sozinha, todas as emissões de sua produção e transformação.

Em investimentos industriais, testes, operação contínua e expansão de escala não são etapas equivalentes. Um teste pode demonstrar a possibilidade de processar determinada carga sem determinar o custo de operar todo um projeto comercial. A avaliação econômica inclui equipamentos, disponibilidade de insumos e calendário de implantação. Assim, validar uma tecnologia não informa automaticamente quanto capital será aplicado nem o retorno que será obtido, pontos que dependem das condições concretas do empreendimento.

Uma mudança de matéria-prima também pode alterar a exposição aos fornecedores e aos preços dos insumos. No caso de cargas vegetais, disponibilidade, qualidade e logística entram na conta, assim como os preços dos produtos que serão vendidos. Um investimento anunciado não assegura margem fixa: o custo de construir a unidade e o custo de mantê-la operando são componentes diferentes. Separá-los ajuda a interpretar por que autorização regulatória, plano de investimento e viabilidade financeira não devem ser usados como sinônimos.

Fontes: Click Petróleo e Gás; ANP — autorizações da Refinaria Riograndense.