O governo federal aprovou uma relação de 27 minerais críticos e estratégicos para orientar a política mineral brasileira. A lista foi validada pela Comissão Interministerial de Análise de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos, criada no âmbito da política nacional do setor.
A classificação não significa que todos os minerais terão, automaticamente, subsídio ou financiamento público. Ela serve como referência para priorização e análise de projetos, com foco em ampliar capacidade produtiva, processamento e segurança de cadeias consideradas importantes para a economia.
Por que esses minerais ganharam prioridade
Minerais críticos entram em cadeias como baterias, eletrônicos, equipamentos de energia, indústria química e tecnologias de defesa. O grau de criticidade considera fatores como risco de fornecimento, concentração geográfica da produção e importância econômica para setores estratégicos.
Para o Brasil, o tema envolve uma escolha que vai além da extração. A capacidade de beneficiar e refinar matérias-primas no país pode aumentar o valor agregado local, mas exige tecnologia, energia, infraestrutura, licenciamento e compradores para os produtos processados.
O que muda com a lista aprovada
A relação cria um referencial oficial para identificar projetos alinhados à política mineral. O governo informou que iniciativas ligadas aos minerais priorizados poderão ser analisadas dentro dos instrumentos previstos, desde que cumpram critérios e procedimentos específicos.
Isso não equivale a uma garantia de crédito, incentivo ou autorização ambiental. Empresas ainda precisam atender regras aplicáveis, apresentar viabilidade econômica e cumprir exigências de licenciamento e consulta. A seleção de prioridades também pode ser revisada conforme mudanças de mercado e abastecimento.
Desafio está em transformar potencial em cadeia industrial
O país possui reservas relevantes de diferentes insumos, mas a mineração é apenas uma etapa. Para reduzir dependência externa em componentes, é necessário desenvolver etapas intermediárias, como concentração, refino e fabricação de materiais usados por indústrias consumidoras.
Esse avanço pode atrair investimento e criar fornecedores locais, mas também precisa observar impactos socioambientais e repartição de benefícios. A previsibilidade regulatória e a transparência na avaliação dos projetos serão importantes para que a lista resulte em produção efetiva.
Próximos passos e pontos de atenção
A implementação dependerá de regulamentação, análise de projetos e coordenação entre governo, empresas e instituições de pesquisa. Um indicador concreto será a divulgação de iniciativas aprovadas, capacidade de processamento instalada e compromissos de compra para os materiais produzidos no país.
A decisão posiciona os minerais na agenda industrial e de comércio exterior. O resultado, porém, será medido por investimento realizado e maior participação brasileira nas etapas de transformação, e não apenas pela existência de recursos geológicos.
Fontes: Ministério de Minas e Energia; Ministério da Agricultura — anúncio do governo; Diário Oficial — Decreto nº 13.146/2026





