A atividade da indústria de transformação recuou no terceiro trimestre, segundo indicadores acompanhados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A entidade projeta queda de 0,4% na produção do setor em 2026, uma estimativa que ainda não representa o resultado anual consolidado do IBGE.

No acumulado do trimestre, os dados apresentados pela Fiesp apontaram retração de 1,1% na massa salarial real, 0,4% nas horas trabalhadas na produção e 0,2% nas vendas reais. Em setembro, alguns indicadores tiveram variações mensais positivas, mas isso não reverteu automaticamente o quadro trimestral.

Utilização da capacidade também diminuiu

O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,2% em setembro, ante 78,5% em agosto, segundo o levantamento da entidade. O indicador mede quanto da capacidade produtiva disponível está sendo usada; uma queda pode refletir menor demanda, manutenção ou ajustes de produção.

Os números não devem ser confundidos com a estatística oficial de produção física do IBGE. A Fiesp reúne indicadores próprios e setoriais, enquanto a Pesquisa Industrial Mensal acompanha volumes produzidos por uma amostra de empresas e atividades em âmbito nacional.

Juros e demanda entram na leitura do setor

Para as empresas, a combinação de vendas mais fracas e custos financeiros elevados pode dificultar decisões de investimento e contratação. Ainda assim, os efeitos variam entre segmentos: encomendas, exportações, estoques e contratos de longo prazo fazem a atividade de cada ramo reagir em ritmos diferentes.

Indicadores da Confederação Nacional da Indústria também registraram enfraquecimento de componentes da atividade em agosto, como faturamento e horas trabalhadas. As pesquisas têm metodologias e recortes distintos, portanto servem como sinais complementares, não como medidas diretamente intercambiáveis.

A projeção de queda de 0,4% deve ser acompanhada junto com os resultados oficiais dos próximos meses.

Uma recuperação da demanda ou uma revisão das condições financeiras pode alterar as estimativas; até lá, a previsão é um cenário elaborado pela Fiesp, e não uma confirmação do desempenho final.