A Pré-Sal Petróleo (PPSA) vendeu todo o gás natural da União oferecido em seu primeiro leilão: 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, divididos em 110 lotes e arrematados por 23 empresas. O fornecimento está previsto para começar em 2027.

A demanda alcançou 1,53 milhão de m³ diários, cerca de 39% acima da quantidade disponível. O certame reuniu 32 participantes, sinal de procura superior à oferta colocada naquela rodada, mas não uma garantia de contratos ou entregas já iniciados.

Preço estimado e setores que podem consumir

O Ministério de Minas e Energia informou preço médio estimado de US$ 5,83 por milhão de BTU para a molécula. A pasta comparou o resultado a referências próximas de US$ 12 por milhão de BTU e apresentou projeções de redução de custos para setores industriais.

Nas estimativas ministeriais, a queda potencial seria de 57% para fertilizantes nitrogenados, 56% para cerâmica e química, 46% para siderurgia, metais e mineração e 38% para vidro. São simulações setoriais divulgadas pelo governo, não tarifas finais garantidas para cada comprador.

O MME também calculou arrecadação de aproximadamente R$ 377 milhões para a União. A efetiva receita depende dos contratos e de sua execução; o preço da molécula não representa sozinho o custo total entregue à indústria.

Transporte e infraestrutura entram na conta

O gás precisa ser processado, transportado e entregue por uma infraestrutura compatível com cada comprador. Custos de escoamento, tratamento, acesso a gasodutos e logística podem alterar a diferença entre o valor de venda da molécula e o gasto final da empresa.

Por isso, o preço do leilão é um componente importante, mas não permite concluir que todos os consumidores terão a mesma economia. A participação do gás no custo de produção também varia entre fertilizantes, cerâmica, vidro, siderurgia e outros segmentos.

PPSA prevê uma nova oferta em 2027

A PPSA projeta oferecer 1,8 milhão de m³ por dia em um novo leilão no próximo ano. A ampliação poderá testar a capacidade de atrair compradores e a disponibilidade de infraestrutura, desde que os novos volumes e as condições comerciais sejam confirmados.

Para avaliar o efeito do programa, será necessário acompanhar a assinatura e a execução dos contratos, o início da entrega em 2027 e a composição do custo até cada consumidor. Os dados da primeira rodada indicam demanda, mas ainda não medem redução efetiva nos preços dos produtos industriais.