A Klabin encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 393 milhões, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida subiu 3%, para R$ 5,57 bilhões, enquanto o volume total de vendas permaneceu estável, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira, 28.

O Ebitda ajustado — indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 12%, para R$ 1,86 bilhão. A margem ajustada recuou de 39% para 33%, refletindo custos mais altos e condições menos favoráveis em parte das linhas de celulose e papel.

Custos por tonelada avançam mais rápido que a receita

O custo caixa total chegou a R$ 3.483 por tonelada, alta de 12% na comparação anual e de aproximadamente 9% frente ao trimestre anterior, segundo os dados divulgados e a análise da XP. O indicador ajuda a acompanhar quanto a companhia desembolsa para produzir e vender cada tonelada, mas deve ser lido junto ao mix de produtos e preços.

A Klabin relacionou parte da pressão a gastos de preparação para potenciais efeitos do El Niño, além de insumos e fretes mais caros em meio a tensões geopolíticas. A análise da XP estima que as medidas associadas ao El Niño acrescentaram cerca de R$ 111 por tonelada. Esse valor é uma estimativa atribuída à análise, não uma conta isolada auditada.

Os volumes não evoluíram de maneira uniforme. A XP destacou alta trimestral de 8% no volume de papel-cartão, para 231 mil toneladas, e de 4% nos embarques totais de celulose. Já o preço realizado da fibra curta recuou 2% em reais na comparação com o segundo trimestre, enquanto o de fibra longa avançou 7%.

Receita maior não impediu recuo da rentabilidade

O aumento de 3% na receita, com volume total estável, indica que a composição de vendas e os preços ajudaram a sustentar o faturamento. Ainda assim, esse efeito não compensou integralmente o aumento de custos, razão pela qual o Ebitda e a margem recuaram em relação a 2025.

A empresa também registrou investimentos de R$ 754 milhões no trimestre. A dívida líquida ficou próxima de R$ 24 bilhões, praticamente estável ante o trimestre anterior, e a relação entre dívida líquida e Ebitda em dólares foi de 3,3 vezes, conforme a análise da XP.

O indicador de alavancagem é particularmente observado em fabricantes de papel e celulose, que operam com investimentos intensivos e exposição a câmbio, preços internacionais e custos logísticos. No caso da Klabin, a comparação em dólares considera a forma como a companhia acompanha parte de sua dívida e receitas; não equivale a uma previsão de risco de inadimplência.

O que acompanhar nos próximos resultados

O balanço coloca a trajetória de custos e a geração de caixa no centro da leitura para os próximos trimestres. A empresa terá de mostrar se os gastos ligados à preparação climática e às pressões de insumos foram pontuais e se a melhora de volumes em papel-cartão e celulose consegue persistir.

Também será importante observar a velocidade de redução da dívida e o comportamento do real, que afeta receitas e custos de uma companhia com operações e vendas em diferentes mercados. A XP avaliou que os custos acumulados em nove meses ficaram ligeiramente acima do limite superior da faixa de referência anual da companhia, aumentando a atenção sobre eficiência operacional.

Esses fatores não permitem concluir, por si sós, como a ação deve se comportar. O resultado é uma fotografia do trimestre e as avaliações de analistas são interpretações, não garantias sobre lucro, preço de mercado ou desempenho futuro.