O preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido pela Petrobras às distribuidoras subiu 7,2% a partir de 1º de novembro. O reajuste representa cerca de R$ 0,45 por litro e eleva o valor médio informado de aproximadamente R$ 6,24 para R$ 6,69.

O movimento é relevante para companhias aéreas porque o combustível é um dos principais componentes de seus custos operacionais. Mas a variação do QAV não se transforma automaticamente em igual aumento nas passagens: cada empresa considera contratos, estoque, câmbio, concorrência e sua política comercial.

Preço médio não é tarifa final

A Petrobras vende o produto às distribuidoras, que atendem as empresas nos aeroportos. O preço varia conforme local e condições comerciais; por isso, o valor médio nacional não corresponde necessariamente ao preço pago por cada companhia em cada terminal.

Segundo a Eixos, o QAV acumula alta de cerca de 84% em 2026 na comparação com dezembro de 2025. A cifra anual deve ser lida com a base e a série indicadas na reportagem, pois anúncios mensais podem usar referências diferentes.

O que pode mudar para o passageiro

O reajuste pressiona custos, mas o repasse depende de outras variáveis, como ocupação dos voos, concorrência, rotas, despesas de manutenção e câmbio. Não há uma regra que determine reajuste imediato e proporcional das tarifas ao consumidor.

Também existe defasagem entre o anúncio do preço, a renovação de contratos e a precificação das passagens. Para avaliar o efeito no setor, os próximos balanços e comunicados das aéreas serão mais informativos do que projetar um aumento específico com base apenas no QAV.

O combustível já pesa mais nos custos das companhias

A Agência Brasil informou que a Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de QAV. O mercado, porém, é aberto a outros produtores e importadores, e o preço divulgado pela estatal se refere à venda para distribuidoras, não a uma tarifa única para todas as empresas aéreas.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a participação do querosene nos custos operacionais do setor passou de cerca de 30% para mais de 45% desde o início do conflito no Oriente Médio. A alta acumulada do combustível em 2026 ajuda a explicar a pressão, mas não permite calcular sozinha o preço futuro de uma passagem.

A Petrobras diz que aplica reajustes mensais com base em fórmula contratual, enquanto os preços internacionais podem mudar com maior frequência. Essa diferença de periodicidade ajuda a amortecer oscilações de curto prazo no Brasil, sem impedir que novos aumentos ou quedas sejam incorporados nos ciclos seguintes.